terça-feira, 8 de abril de 2014

Childish Gambino - Uma evolução feita à sombra

O texto desta semana, vai para um músico de um estilo musical que muitas vezes é negligenciado mas que não deixa de ter as suas virtudes e a sua evolução. Para quem o ouviu, durante a última década, assistiu-se a uma progressiva entrada de outras sonoridades, como o piano, violino ou saxofone, por exemplo, que elevou o Hip-hop a um estilo diferente do habitual “beat and rhymes”. Quando falamos desta evolução vêm-nos à cabeça grandes nomes como Jay-Z ou Kanye West, mas são, talvez, os pequenos grandes nomes que melhor traduzem o potencial desta corrente musical. O nome que vos falo não é particularmente recente, lançou o seu segundo álbum “Because the Internet” em 2013 mas, face ao seu desconhecimento, apresento-vos Childish Gambino.
            Donald Glover, ou Childish Gambino no palco, é um actor e escritor afro-americano que se tem destacado como guionista premiado de séries como “30 Rock”. A influência que a enorme capacidade de escrita tem na sua música é visível em quase todas as canções. Donald não é um rapaz do gueto que faz do Hip-Hop a sua vida. Com um curso superior de artes da NYU (New York University) e o seu talento literário o enveredar por este estilo musical é feito por puro gosto. Sem histórias de gueto Donald está no Hip-hop por devoção. Para revolucionar. Talvez esse seja o seu maior valor.
          Após uma série de EP e um reconhecimento cada vez maior, Donald anuncia o seu primeiro álbum chamado “Camp” em 2011 sendo, dai, retirado o primeiro single Bonfire. Quem ouça este álbum vai, no mínimo, duvidar da descrição feita anteriormente. “They talking hood shit and I ain't know what that was about”, afirma em Outside, e a verdade é que tirando algumas excepções, como Firefly, All TheShine e L.E.S, onde tenta fugir ao tema, é mesmo essa a sensação que temos. Apesar de ser um bom álbum de Hip-hop, a evolução viria com “because the internet”.
            Para começar, Donald, assume a sua postura de guionista dando um registo cinematográfico às suas músicas e transformando o álbum numa história a ser ouvida e imaginada do princípio ao fim. É também neste disco que a tal evolução acima descrita e ligação com outros instrumentos é feita, veja-se a guitarra em The Worst Guys. Com um estilo muito mais experimental, fugindo à limitação do debitar rimas para o qual não possuía grande jeito, e apostando nos momentos certo em músicas mais lentas com mais soul, exemplo disso é Urn e Pink Toes. Muito parecido com Channel Orange de Frank Ocean em algumas fases.
            Resumindo é um excelente e inovador, em vários aspectos, álbum de Hip-hop que chega a agradar a quem não é grande fã do estilo. Requerendo apenas uma audição mais cuidada, do que aquela que habitualmente é dada a este género musical, para se perceber. Talvez seja essa pretensão a um apurar dos sentidos o seu contributo para a evolução.
            Sugestões: As músicas referidas encontram-se a azul com um link que os redireciona para as mesmas. Ainda assim, sugiro também Shadows e 3005.


Gonçalo Matos

domingo, 6 de abril de 2014

5-30: O projecto que ninguém esperava

    27 de Fevereiro de 2014 é anunciado o lançamento de um novo projecto que nem os fãs mais criativos e optimistas suspeitaram. Juntavam-se assim 3 amigos,que transpiram talento,criatividade,qualidade,com um nome inspirado no local onde a " magia acontece ",o estúdio (5-30) .... Até aqui só boas notícias... Surgem os nomes dos membros integrantes e torna-se o êxtase para todos os fãs deste estilo musical ! Era o regresso do grande Carlos Nobre,conhecido no mundo da música como Carlão ou Pac-Man pela sua carreira nos "Gigantescos" Da Weasel que marcaram uma era no panorama musical português ,sendo a banda que mais reputação conquistou fora os "dinossauros do Rock Português ",Xutos e Pontapés , implementando um estilo que até ao surgimento da banda era olhado de lado pela sociedade,acabando por conquistar tudo e todos ,com a sua criatividade e sonoridade. A este regresso tão aguardado e  inesperado,junta-se um dos rappers com mais influência no mundo do Hip Hop Português ,assim como um dos mais requisitados  ,sendo posto no mesmo patamar de pais do Hip Hop "Tuga " como Valete ou Sam The Kid....Para completar o trio , eis Fred ,baterista dos Orelha Negra e ex membro dos Buraka Som Sistema que " larga as baquetas" e se inteira da produção do álbum.. Até aqui a única duvida que surgia para todos os fãs ,era para quando o lançamento do álbum ? Mas será que o resultado foi o esperado ? Para uns sim ,para outros talvez não.
    Quando num projecto estão presentes 3 figuras com este nome , é normal as expectativas excederem-se ,estando nós ouvintes ,habituados a produtos musicas com uma qualidade enorme vindo dos mesmos, mas já diz o ditado " Quanto maior é a subida ,maior é a queda " e neste caso ,na minha opinião foi o que se presenciou,em relação ás expectativas sobre este trabalho. Esperava-se uma obra-prima,um álbum de referência para todos nós ... A maioria sentiu -se desiludida com o resultado final.
   A meu ver , tudo se deve sobretudo a uma mudança de estilo, uma nova maneira de ver o Hip Hop ,um acompanhamento com aquilo que tem sido feito por outros países ,verificando-se uma onda que privilegia, o som de fundo não tão melódico,mas muito mais dançável,apostando no bass e no sistemático Auto tune, ou seja entrada da electrónica no mundo do rap  ,isto é ,uma modernização do Hip Hop como até hoje era visto sobretudo em Portugal. Nos Estados Unidos ,o estilo foi evoluindo gradualmente,preparando assim os ouvintes até os mais cépticos,á ruptura com o chamado Hip Hop Old School ,surgiram então artistas como Tyler the Creator,Frank Ocean,Asap Rocky e Kendrick LamarEm Portugal tal não se sucedeu.... A aposta neste novo estilo foi repentina e surpreendeu tudo e todos. O Hip Hop ao longo do tempo tem vindo a evoluir bastante, com a inclusão de novas sonoridades,mais artistas,mais projectos,mas a ruptura com o passado não pode ser tão drástica.
   Surge no mesmo dia 27, o single do álbum , " Chegou a Hora ", era diferente sim, mas agradou bastante, o beat soava a fresco , colocou então as expectativas tão altas que se pensou que  seguiria os passos das referências do " Tio Sam" ,o que era impensável até aí... Cheirava a obra prima ,mas as restantes músicas salvo algumas excepções não conseguiram acompanhar o single. Apesar do estilo ser idêntico entre todos os temas, nota-se alguma discrepância entre as músicas ,tornando assim o álbum heterogéneo. Aquando do anuncio do álbum ,os próprios membros da banda intitularam o álbum como " um disco de agora " ,disso ninguém duvida mas nota-se que podem evoluir dentro do próprio género,o que é normal visto ser o primeiro projecto nesta vertente do Hip Hop.
   Mais concretamente sobre o álbum podemos considerá-lo um disco " muito sexual",como os próprios referem,em que as mulheres têm uma grande influência e são uma das principais inspirações,assim como,o dinheiro e os estupefacientes...Todas as músicas têm uma espécie de história por trás delas, como se, se tratasse de um guião sem imagens,podendo o ouvinte imaginar o filme na sua própria cabeça. Conta com várias participações ,entre elas, Sam the Kid e o Richie Campbell. 
   É interessante observar duas opiniões distintas acerca desta nova aposta no Hip Hop , uns mais habituados á onda mais espontânea,mais liricista , mais marginal, ficam um pouco de pé atrás,outros, ouvintes mais recentes do estilo,com influências diferentes ,que procuram melodias mais dançáveis e onde se revêm nas letras dos temas,aguardam com expectativa por mais... Os 5-30,vieram ocupar um buraco no Hip Hop Tuga ,que tem vindo a ser preenchido nos últimos tempos com nomes como Mike El Nite e a acompanhar a "americanização" ....

 Na minha opinião :  " Está quase lá...... "

  
    
João Rodrigo

quarta-feira, 2 de abril de 2014

The Police - A "autoridade" na música dos anos 80? Nem por isso!

 https://www.youtube.com/watch?v=3T1c7GkzRQQ

Quase que começaram do nada mas do nada chegarama à realeza no mundo da música. Talvez tenha sido o trio mais espectacular dos anos 80 e conquistaram fãs por todo o mundo. Num estilo musical que abrange não só o Rock mas também o Reggae, o Punk e o Jazz, esta banda foi claramente um marco na história da música, mas não se deixem enganar pelo o seu nome porque de autoridade não têm nada. Já chegaram lá? Esta semana temos este trio com um nome muito simples: The Police.
Constituídos por um dos maiores compositores e vocalistas do nosso tempo, liderando a banda e acompanhando com excelentes linhas de baixo temos Gordon M. Sumner, também conhecido por muitos como Sting. Na guitarra tinhamos o “feiticeiro” e Andy Summers e na bateria um excelente baterista que deveria ser levado mais em conta nos dias de hoje, Stewart Copeland.
Sting tocava jazz num bar com uma banda, onde lhe foi dada a alcunha de “Sting” pela sua maneira de tocar e foi aí que conheceu Stewart Copeland(baterista), que ficara muito impressionado com a maneira de tocar de Sting. Stewart que já tocava há algum tempo, decide convidar Sting para integrar uma banda nova que estava a pensar formar, os The Police. Com Henry Padovani na guitarra lançaram um single “Fall Out” que vende 70 000 cópias, mas entretanto Padovani deixa banda dando lugar a Andy Summers, esta seria a formação final dos The Police.
Assinam com a “A&M” Records lançado um dos grandes clássicos que toda a gente hoje em dia(ou quase toda) reconhece em single, “Roxanne”, uma canção de amor para uma prostituta escrita por Sting. Porém não tem sucesso no ano de 1978 em Inglaterra.
Partem à aventura numa pequena digressão pelos bares dos Estados Unidos da América, tocando no lendário “CBGB's”(um bar que lançou grandes bandas do punk e de outros estilos no mundo da música). Conquistam uma grande audiência na América e sem nenhum disco de “suporte” lançado, apenas com um single editado - “Roxanne” - ganham muito apoio. Regressados a reais terras de sua majestade, o single que tinha sido um fracasso um ano antes, era agora um sucesso... Em Inglaterra! Isto permitiu forjar as bases para o seu primeiro disco “Outlandos d'Amour”, lançado em 1979 com grandes malhas como “Next To You”, “Roxanne”, “Can't Stand Losing You” e “So Lonely”.
Em 1980, lançam “Zenyatta Mondatta” que com “Don't Stand So Close To Me” e “De Do Do Do, De Da Da Da” é um sucesso e mantem os The Police na ribalta.
No a seguir, em 1981, lançam o disco “Ghost in the Machine” que, graças à música “Every Little Thing She Does is Magic”, se torna um grande sucesso chegando a estar em primeiro lugar na tabela de vendas em Inglaterra.
Fazem uma paragem no ano de 1982 para seguirem projectos a solo e regressam em 1983 para lançar o seu último trabalho de estúdio – “Synchronicity”. Este último disco da banda é um sucesso especialmente por ter uma das baladas mais bonitas de sempre, a música “Every Breath You Take”. Promoveram o disco numa gigantesca tour mundial e quando estavam no mais pleno dos sucessos, os The Police decidiram por um ponto na banda o que foi muito estranho para todos os seus fãs, consta que as razões deste desfecho foram divergências criativas e problemas entre os integrantes da banda, que apesar de tudo, se afirmam como irmãos.
Esta é a história de um dos trios mais influentes na música dos anos 80, trio esse que desde 2003, faz parte do Hall of Fame do Rock desde 2003 e que é sem dúvida um enorme marco da história e por isso a nossa homenagem às “autoridades” do Rock&Roll!


 Bernardo Mascarenhas


James Blake

Após umas semanas um pouco conturbadas e de imenso stress, acho que todos sabemos o quão sabe bem ter uma boa música para relaxar. Coincidência, ou não, nessas mesmas semanas foram confirmados mais uns nomes para o Festival Vodafone Paredes de Coura (que se vai realizar em Agosto) o nome mais sonante é James Blake. 
Suscitou-me desde já curiosidade, porque já tinha ouvido falar dele e sei que já esteve presente no Festival Optimus Primavera Sound de 2013, e como tal para se ser uma boa especialista em música devemos de estar sempre á descoberta de coisas novas e estar a par das novidades.
Pesquisa desta vez, bem sucedida, porque não fazia de todo ideia que James Blake tinha um estilo tão soft e de boa qualidade, quero eu com isto dizer que me surpreendeu positivamente, porque mais facilmente ligava o seu nome a mais uma banda de Rock ou de Indie.
A música que mais me saltou á vista foi talvez, a “Take a Fall from Here” que naquele momento foi o encaixe perfeito para o que estava a precisar de ouvir: não muito pesado, não muito electrónico atrevo-me mesmo a dizer que serviu mesmo de música de ambiente.
James Blake é assim um artista que se pode considerar “newie” que tem conquistado diversos prémios pela sua genialidade quando faz remixes ou como compõe as suas músicas de maneira tão melódica.
A sua carreira é, para já, curta mas que conta pelo menos dois álbuns: "Overgrown" (2013) e “James Blake” (2011) e alguns EP’S.

Fica assim, a minha sugestão desta semana de um novo artista para aqueles, como eu, precisam de relaxar um bocado e conjugar isso com "quality time" de boa música! 
Se tiverem oportunidade não deixem de assistir ao seu concerto no Vodafone Paredes de Coura
de certo que não se irão arrepender!




Sugestões desta semana:


Genésia Freitas

terça-feira, 1 de abril de 2014

Gorillaz - Uma banda antes do seu tempo

Mais uma semana, mais um texto. Esta semana é direccionada para algo mais pessoal. Assim, pretendo dar a conhecer uma das minhas bandas preferidas, os Gorillaz. Todos temos umas bandas que adoraríamos ver, para os sortudos repetir, mais do que qualquer outra. Aquelas às quais recorremos nas mais variadas situações. Para mim, os Gorillaz são sem dúvida uma dessas bandas.
                Mas quem são estes seres animados que tão boa música produzem? Na verdade os Gorillaz são Damon Albarn (esse mesmo, dos Blur) e o desenhador Jamie Hewlett. Juntos, estes dois britânicos criaram algo nunca antes feito e muitas poucas vezes tentado depois. O primeiro encontro deu-se em 1990, quando Jamie foi convidado a entrevistar os Blur, mas foi em 1997 que tudo se conjugou. Damon e Jamie começam por dividir um apartamento em Londres e tiveram a ideia de criar os Gorillaz por causa da MTV. Considerando-a sem substância a banda criada seria para responder a esse problema. Foi o nascimento de Stuart “D2” Pot, Russel Hobbs, Murdoc Niccals e a “pequena” Noodle que sempre se mantiveram ao longo das chamadas “fases” dos Gorillaz.
Da esquerda para a direita: Russel, Murdoc, Stuart e Noodles
     É impossível desligar a história destas personagens da banda em si, tendo inclusive uma autobiografia publicada, Rise Of The Ogre. Murdoc, o baixista, o mais velho que se torna o criador da banda após uma série de “acidentes”. Stuart, o vocalista de cabelo azul (que tem a voz de Damon), que é recrutado por Murdoc após este o atropelar e deixar em coma. Russel, o baterista, que era um pequeno génio até ser possuído por demónios. Mais tarde raptado por Murdoc e forçado a tocar bateria. E por fim, Noodles, a misteriosa guitarrista que apareceu à porta de Murdoc dentro de uma caixa da FedEx. Retomando a realidade.
                Para o primeiro EP, Tomorrow Comes Today, Damon e Jamie recrutam dois nomes sonantes do hip-hop americano, Del The Funky Homosapien e Dan The Automator. Em 2000 é lançado então o EP que inclui singles tão reconhecidos como”Tommorow Comes Today” e “Rock The House”. Um anos depois, vem o primeiro álbum, auto-intitulado, que juntaria “19-2000” e “Clint Eastwood” aos reconhecidos singles ditos anteriormente. Entre b-sides e remisturas a primeira fase termina com o DVD “Celebrity Take Down” que inclui vídeos nunca antes mostrados e documentários.
                A segunda fase tem inicio em 2004 com o lançamento do single “Feel Good Inc.” e do consequente álbum Demon Days (pessoalmente, um dos melhores álbuns de sempre e o favorito), produzido por Danger Mouse. O disco valeu-lhes nomeações para os Grammys, Brit Awards e European Music Awards. Curiosamente foi no seguimento do mesmo que os Gorillaz deram das suas atuações mais populares. Introduzindo hologramas, pasmaram quem os assistiu nos Grammys e aqui mesmo, em Lisboa, na cerimónia dos EMA. Destaca-se ainda as músicas Demon Days, El Mañana e DARE. A fase termina com dois DVD, um primeiro de compilação chamado “Slowboat to Hades” e um segundo com o documentário Bananaz que demonstra os sete anos de existência da banda, ambos lançados em 2007
                Por último a fase três, tem início em 2008 e resulta nos dois últimos discos, “Plastic Beach” e “The Fall”. Plastic Beach é o disco com mais colaborações e conta com nomes tão distintos como Mos Def, Snoop Dogg ou Lou Reed. Com singles como “Stylo” e "On Melancholy Hill” a juntar-se à discografia, havia mais que material para a primeira e única tour mundial da banda que os levou aos festivais Roskilde, Glastonbury, Coachella e até a um concerto na Síria.
The Fall, talvez pela pouca distância desde o seu antecessor foi o álbum menos conseguido e foi seguido poucos meses depois pela primeira coletânea de singles da banda, tudo em 2011. Em 2012, entre outras causas devido a projectos próprios tanto de Damon como de Jamie, é anunciado um hiato indefinido que ainda hoje se mantém.
                É difícil descrever a música de Gorillaz face às constantes colaborações e influências mas é garantido que aquilo que começou como um interessante projecto resultou em algo inédito que dificilmente pode ser repetido.

                Aos textos costumam terminar com sugestões de músicas, mas como todas as músicas referenciadas vêm com link, deixo a sugestão de tentar conhecer a história da banda animada e as suas personagens. Dentro deste texto não me foi possível desenvolve-la ao máximo naquilo que será certamente a maior influência na música dos Gorillaz.


Gonçalo Matos

quarta-feira, 26 de março de 2014

The Who - Os Destruidores do Palco!


Reconhecem esta entrada de sintetizadores? Acredito que sim mas “Quem” são os autores desta e de outras magníficas obras musicais? A pergunta está mesmo adequada ao contexto, “Quem são eles?”, se ainda não chegaram lá eu digo sem problemas nenhuns, eles são sem mais nem menos os The Who!
Mas a pergunta insiste em voltar, quem são eles? Pois bem, são 4 índividuos de Shepherd's Bush em Londres, Inglaterra, que fizeram parte da “Invasão Britânica” nos anos 60. Constituídos por Roger Daltrey(vocalista) – conhecido por rodar o seu microfone pelo cabo do mesmo em pleno palco -, Pete Townshend(guitarrista) – não é dos guitarristas mais virtuosos em termos de técnica de solo, mas sem ele a música não teria evoluído como evoluio, era conhecido por utilizar a técnica do “Moinho de vento” enquanto tocava que nem um louco e foi pioneiro a destruir instrumentos em palco -, John Entwistle(baixista) - um dos melhores nas suas funções, conhecido como “The Ox” ou “Thunderfingers”, John criou linhas de baixo impressionantes e muitos músicos actuais acreditam que se deve a ele a evolução do baixo como um instrumento fundamental numa banda – e finalmente Keith Moon(baterista) – muitas vezes conhecido por Moonie e por ser uma autêntica orquestra na bateria, tocando com agressividade assim como coordenação, foi dos primeiros bateristas a dar nas vistas perante o público, deixando muitos fãs boquiabertos nos concertos.
Os The Who começaram a carreira a tocar covers em bares e posteriormente, quando se juntam a Kit Lambert e a Chris Lipp que os tornaram numa banda modernista ou “Mod”, o que fez todo o sentido e os ajudou a catapultar para o sucesso.
Os The Who querem deixar de cantar covers e descobrem um compositor genial dentro da banda, Pete, o guitarrista da banda seria responsavel por grande parte das ideias que se tornariam albuns de sucesso. A primeira canção de sucesso(pois nesta altura as bandas começavam por lançar singles) foi “Can't Explain”, seguida por outras grandes músicas como “My Generation”, “Magic Bus” e “I Can See For Miles”, que tiveram muito sucesso em termos de vendas e os catapultaram para a televisão e para a ribalta.
Kit e Chris decidem criar a editora Track Records que seria responsável por editar não só os álbuns dos The Who numa fase inicial, mas também de outro grande músico, o lendário Jimi Hendrix!
Numa época de descoberta de novas drogas como o LSD, festivais que se tornariam lendários como o de Woodstock e após muita destruição de instrumentos em palco, no ano de 1969, tendo em vista uma escrita musical mais complexa, Pete tem a ideia para uma ópera Rock a qual chamou de “Tommy”, que consiste na história de um rapaz cego, surdo e mudo, cujo a única maneira de comunicar com o mundo era através da música e das suas vibrações. O álbum é um grande sucesso havendo uma enorme tour por todo o mundo e sendo posteriormente adaptado em filme.
Em 1970 e após ninguem ter percebido a ideia de Pete para uma experiência de Rock interactiva entre a banda e os fãs chamada “Lifehouse”, o projecto não terminou na maneira inicialmente desenhada. Em vez disso, as músicas que seriam para “Lifehouse”, passariam para um álbum: “Who's Next”. Por curiosidade, este álbum foi o maior sucesso dos The Who em termos comerciais, tendo canções épicas como “Won't Get Fooled Again”, “Behind Blue Eyes” e claro, a épica “Baba O'riley”!
Os The Who editam mais uma ópera Rock chamada “Quadrophenia”, esta com o tema do conflito entre “Mods” e “Rockers”(algo que foi quase rotina em Inglaterra nos anos 60), editando posteriormente “Who Are You?” em 1978, e este seria o ano em que o baterista Keith Moon morreria após vários anos a consumir álcool e drogas em larga escala, faleceu com apenas 32 anos.
Anos mais tarde e após vários tempos com a banda “arrumada”, foi a vez de John Entwistle deixar o mundo no ano de 2007 com 57 anos, tendo tal como o seu antigo companheiro de banda Keith, deixado um marco importante na história da música e do Rock.
Penso que depois desta crónica, já não vai ser necessário perguntar “quem” foram os The Who, porque eles foram um grande e importante marco na história que merece ser relembrado, para sempre!

Bernardo Mascarenhas

Sugestões:
Documentário: “Amazing Journey – The Story of The Who”

terça-feira, 25 de março de 2014

Eletrónico kuduro progressivo .Confuso? Apenas Buraka Som Sistema

     Podemos dizer que a origem da banda é o concelho da Amadora,mais propriamente na Buraca,mas talvez seja injusto dado á mistura electrizante de dezenas de estilos presente nas suas produções. Essa origem tem então raízes africanas,latinas,americanas,asiáticas .... Tudo isto cria os Buraka Som Sistema , a banda portuguesa com mais sucesso internacional da história,fazendo dançar pessoas seja qual for a nacionalidade ,recorrendo a instrumentos desde sintetizadores,sequenciadores,caixas de ritmos,sampleres...
     Nascidos em 2005 ,são formados por Lil 'John ou Branko ,Blaya,Conductor,Riot e Kalaf e já pisaram palcos desde as Bahamas,a França,Angola,Canadá,Holanda ou EUA.Em todos estes países os Buraka levam o público a render se á mistura de todos os estilos presentes nos seus temas. Dizem os próprios : "A pista esquenta/O people sente-a/Buraka entra/ o som rebenta/ ninguém aguenta ... " Eu subscrevo . 
    Produzindo álbuns desde 2006 ,começaram com um trabalho chamado " From Buraka to the world " ,mas o seu sucesso foi maioritariamente atingido com o single pertencente ao álbum Black Diamond ,editado em 2008 , Yah ! com contou com a participação da cantora Petty. A partir desse momento e com o lançamento desse projecto ,o sucesso desta banda atinge limites inimagináveis para um grupo da Amadora que misturavam sons provenientes das misturas das suas raízes tentando ,torná-lo numa mistura homogénea que não deixasse ninguém indiferente . Ao longo dos anos ,verificou-se claramente uma maior maturidade dos elementos ,conseguindo levar a um consenso de toda crítica . Surgiram assim temas com Hangover,We Stay Up All Night ,Kalemba ou Vodoo Love ,que dominaram as rádios sem nunca perderem a identidade que lhes conferiu a misticidade que fazem deles tão diferentes e especiais.Tornaram-se não só os reis do Kuduro ( distinção que até então pertencia ao grande Hélder ) mas como uma banda com grande importância na música electrónica.
    Como todos sabemos, os portugueses seguem muito a lógica de que a galinha das outras é a melhor que a nossa e talvez se pertencessem ás terras do Tio Sam ( onde são muito apreciados) tiveram um sucesso ainda maior ,pois muito do sucesso das bandas vem da valorização que elas têm no seu próprio país ( 70 % das suas actuações são fora do país). Como já vai sendo habitual o seu sucesso no estrangeiro é muito maior... Os membros da banda criaram uma editora de seu nome a Enchufada,responsável pela criação dos seus projectos .Por onde passam ,os Buraka tentam enriquecer a sua ideia musical com os géneros próprios de cada país .
   Aquando da sua criação, os seus membros não depositavam grandes esperanças no projecto dado que cada um tinha uma ideia diferente para o projecto ,Riot queria fazer drum & bass,o Conductor estava mais virado para o Hip Hop,Kalaf dedicava-se á poesia e Branko estava entre todos esses universos. Sendo assim os próprios classificam a criação da banda como um golpe de sorte , um mero acidente.
   Recentemente lançaram um documentário intitulado Off The Beaten Track que mostra o percurso da banda desde a sua criação,ás viagens para espetáculos,depoimentos de outros artistas como a inglesa M.I.A ou do Dj A-Trak ... A banda vai actuar este ano pela primeira vez no palco principal de um festival no seu país de origem ,( recentemente actuaram no palco secundário do Optimus Alive ) , na edição do Alive deste ano no dia 11 de Julho . Além de recomendar vivamente ao leitor, " dar um pézinho " a este festival,aconselho também a visualização do documentário e a ouvir a discografia desta banda.Destaco para além dos temas referidos anteriormente, Sound of Kuduro ,Candonga,Tira o pé,Aqui para você e Wawaba. 


    
João Rodrigo