sexta-feira, 14 de março de 2014

Rolling Stones

Todos nós, a certa altura da nossa vida, nos propomos a um desafio que tem muitos mais riscos que benefícios. O texto desta semana vai ao encontro disso, com a notícia esta semana que haveria a possibilidade de virem cá decidi retomar a ideia deste texto. Assim, o texto desta semana é dedicado aos The Rolling Stones! Uma banda que mesmo para quem não aprecia todos conhecemos pelo menos uma música. Contudo, que dizer de uma banda que cada membro daria para um texto por mérito próprio? Uma banda que está indiscutivelmente em qualquer discussão sobre a melhor banda de sempre? Uma banda que ajudou a reformular os Blues e o Rock? Ufff... Talvez começando do início…
Os Rolling Stones foram formados em 1962, baseados num reencontro entre Keith Richards e Mick Jagger, amigos de infância até o último se mudar. Antes dos Rolling Stones, conjuntamente com Dick Taylor, Alan Etherington e Bob Beckwith, já haviam formado os Blue Boys. Em Março do mesmo ano participam num concurso de Jazz onde se encontram com a banda Blues Incorporated, que era composta por muito do que seria a banda. Pouco depois Jagger, Richards e Taylor juntam-se a Brian Jones e Ian Stewart  (Charlie Woods juntar-se-ia em 1963), que haviam conhecido no concurso e acompanhado nos Chicago Blues (outra banda pré-stones), formando assim a base original dos Rolling Stones. Curiosamente a origem do nome é igual à da revista com o mesmo nome, que surgiu pela mesma altura. Ambas provêm da música “Rollin' Stone” de Muddy Waters.
                Com os primeiros concertos, onde tocavam Chicago Blues e covers, veio o reconhecimento e o primeiro agente. Andrew Oldham, curiosamente mais novo que qualquer membro da banda, foi o agente recomendado pelos clientes anteriores, nada mais nada menos que os Beatles! Entre as várias alterações, centrou a imagem dos Rolling Stones numa antítese dos Beatles e afastou Ian Stewart dos holofotes, apesar de se ter mantido como manager de digressão e pianista até à sua morte.
                Apesar dos concertos e primeiros álbuns serem constituídos largamente por covers com algumas músicas de Jagger e Richards a apoiar, em 1964 arrancam com a sua primeira tour pelos E.U.A, que se revelaria desastrosa. Valeu pela possibilidade de gravar em Chicago e conhecer pessoalmente muitas das influências, incluindo Muddy Waters.
                O ano de 1965 mostrar-se-ia muito melhor e o início da carreira como a conhecemos, mundial. Lançam dois LP, The Rolling Stones No.2 e Out Of Our Heads, e singles como “Satisfaction” e “Get out of my Cloud” que atingem o nº1 dos tops americanos e ingleses. Isto levaria ao abandono das covers e em 1966 estreiam-se com o primeiro álbum escrito inteiramente por Jagger e Richards, Aftermath, que inclui “Paint it, Black” e “Under My Thumb”.
                Com a década de 60 a acabar os problemas começaram a surgir. Apesar do lançamento de músicas como “Jumpin’ Jack Flash” e “Sympathy for the Devil”, relatos de incidentes com drogas chegam às primeiras páginas e Richards, Jagger e Jones acabam presos. A juntar a isso a troca de Oldham por Allen Klein como agente e em Julho de 1969 a trágica morte de Brian Jones, que seria substituído por Mick Taylor. Nesse mesmo ano lançam o álbum Let it Bleed que incluía “Gimme Shelter” e “You can’t always get what you want”.
                  A década de 70 trazia novamente mudanças. Acabam o contracto com Klein e começam a sua própria editora, a Rolling Stones Records. Para capa do primeiro álbum da editora pedem ajuda a Andy Warhol, surgindo aí o mundialmente reconhecido logo da língua de fora.
O álbum, Sticky Fingers, incluía entre outras a famosíssima “Brown Sugar”. Lançariam ainda na primeira metade da década um dos seus mais famosos álbuns, Exile on the main street, singles como “Angie” e veriam Mick Taylor abandonar após 5 anos na banda para ser substituído por Ronnie Wood. Porém, os problemas com drogas começavam a minar a amizade de Richards e Jagger bem como a banda em sí. Apesar de alguns sucessos como “Start me up” e uma prolongada e lucrativa digressão pelos E.U.A, as drogas e o surgimento do punk mostravam se oponentes de peso. Concentrado no projecto a solo, Jagger desligou-se da banda e a banda acumulou insucessos, para aquilo que se esperava da mesma, sendo preciso esperar até 1989 com o álbum Steel Wheels para surgir novamente uma digressão. Após isto a banda fez uma pausa e retomou a actividade com Voodoo Lounge em 1994. Após a edição de mais 3 álbuns eram cada vez mais as tours, com a presença em palco da banda e os hits colecionados ao longo dos anos que mantinham a chama dos Rolling Stones viva.
                Para comemorar os 50 anos de vida, a banda lança o best of GRRR! composto por 3 cd’s, dando um total de 50 músicas.
                Foi esta a vida, até agora, dos Rolling Stones. Baseada na excentricidade de Sir Mick Jagger, que apesar da rebeldia foi condecorado cavaleiro pela rainha de Inglaterra, pelo génio da guitarra que é Keith Richards apesar de todo o historial de drogas e sem dúvida pela capacidade dos fãs de acompanhar os Rolling Stones religiosamente ao longo destes anos todos. Para quem, como eu nunca teve a possibilidade de os ver, as recentes noticias que dão como certa a sua presença este verão, são ouro sobre azul. 
Sugestões? Muito ficou de fora, mas todas as músicas referencidas têm link e sugiro mesmo a discografia completa ou então o best-of. Um marco na história da música no fim, deste texto, fica um misto de dever cumprido mas que haveria muito mais para se contar.


Gonçalo Matos

                

quinta-feira, 13 de março de 2014

Royal Blood: os pequenos (grandes) monstros britânicos

Quando falamos em duplas musicais, que assentam apenas entre bateria e guitarra ou baixo, imediatamente nos lembramos de nomes como: The White Stripes, The Black Keys, Japandroids, Blood Red Shoes, Deap Valley entre outros.
À esquerda Mike Kerr (vocalista) e à direita Ben Thatcher (baterista)

Mike Kerr (baixista e vocalista) e Ben Thatcher (baterista) fazem os Royal Blood, um duo natural de Brighton, Inglaterra, que são já comparados pela sua sonoridade potente e pelo seu estilo blues e garage rock, aos míticos The White Stripes, de Jack e Meg White.

Em novembro de 2013 lançaram o seu primeiro single: “Out Of The Black”, juntamente com um tema b-side, chamado “Come On Over”. Mais recentemente, no dia 11 de fevereiro, lançaram o segundo single: “Little Monster”.

Apontados como uma das grandes promessas da nova música britânica, foram nomeados pela BBC para a lista de artistas que integram a BBC Sound of 2014, ao lado de artistas como Banks, Chance The Rapper, George Ezra, Sampha, entre outros.
A banda tem conquistado vários fãs, um deles é Matt Helders, que durante o concerto dos Arctic Monkeys no festival Glastonbury 2013 atuou com uma t-shirt alusiva aos Royal Blood. A cumplicidade existente entre as bandas é evidente e diz-se que Alex Turner e companhia apadrinharam de tal forma os Royal Blood, que os convidaram para abrir dois dos concertos que os Arctic Monkeys irão dar em Londres no Finsbury Park, no próximo mês de abril. Este evento junta ainda Miles Kane e Tame Impala.
Estão também já confirmados na edição 2014 dos festivais Reading e Leeds e decerto que passarão por muitos outros festivais internacionais.


Ainda não se conhece a data de lançamento do álbum de estreia deste duo britânico, mas é certo que estamos perante uma banda que promete agitar o universo musical.


Vídeo do primeiro single da banda



João Fernandes



quarta-feira, 12 de março de 2014

Jeff Buckley: a star gone too soon?

Esta semana, decidi prestar a devida homenagem a um grande artista dos anos 90 que, infelizmente, já não esta entre nós. Se me permitem, digo que Jeff Buckley, em muitos aspectos, se assemelha a Kurt Cobain. Ambos eram artistas que estavam a ter enorme sucesso, eram talentosos e sobretudo "good-looking" e que, tragicamente, morrem inesperadamente, deixando os fãs destroçados. Felizmente, a alma de Jeff Buckley continua presente nos nossos dias e realmente não consigo imaginar como seria o mundo se Jeff ainda existisse. 
Nasceu em Orange County , e denota-se que herdou a sua veia musical através do seu pai Tim Buckley que, na altura dos anos 70, era um eclético cantor de folk que morreu em 1975, vitima de overdose de drogas, Jeff dizia que o pai tinha tido uma vida complicada. Nunca passou muito tempo com ele, apenas com a sua mãe e o seu padrasto. Mais jovem, Jeff Buckley mudou-se para Manhattan onde começou a actuar em concertos intimistas ou também a lavar pratos num clube de folk. A voz herdada do seu pai, o seu "good-looking" e o seu sentido de humor, cedo o levaram a ter fãs e mais tarde a um contrato com a Columbia onde lá gravou o seu primeiro álbum de 4 musicas "Live at Sine", em 1993.
Nos seus concertos cantava, frequentemente, músicas de Leonard Cohen, Edtih Piaf e Van Morison. Em 1994, editou o seu único albúm de originais, o grandioso albúm "Grace" onde se destaca a música "Last Goodbye" ou "Hallelujah". Nos anos a seguir, Jeff participava nos albúns dos Jazz Passengers, John Zorn, Patti Smith, Rebecca Moore, Brenda Khan, Shudder to Think e Inger Lorre dos Nymphs. mas tambem em concertos sob alianças poderosas como Possessed dos Elves, Crackrobats, Smackrobiotic e Puppet Show Named Julio. Buckley estava em Memphis para preparar o seu segundo álbum que supostamente era para ser começado a gravar a 30 de Junho, já tinha preparado dezenas de musicas para gravar nesse albúm.
 Dizia-se que coisas estranhas se passavam quando Jeff abria a sua boca para cantar, num momento ele era um cantor com sonoridade de Blues e depois um cantor de Jazz cuja voz acrobática nos levava numa viagem entre cigarros e memórias do passado. A última coisa de que nos lembramos é a sua idade, tinha apenas 26 na altura. De facto, Jeff era um deus com um carisma, uma voz, e um talento na guitarra incríveis, aconselho vivamente que para quem ainda não conhece que oiçam as suas músicas. É um artista extraordinário e tenho a certeza que muito ficou ainda por escrever nas suas músicas e muito a transmitir ao mundo, que para ele era um Mundo ao qual ele não pertencia. 
Uma verdadeira estrela que morreu em 1997, quando nadava num lago com um amigo em Memphis, tendo morrido afogado e o seu corpo apenas foi encontrado dias mais tarde por um turista que passeava num barco. Jeff tinha 30 anos.

 "There are rhythm-and-blues singers who can match Mr. Buckley's technique, but most of them use their skills to portray love as a realm of simple, escapist sweetness. Mr. Buckley finds turbulence instead; in "Last Goodbye," his determination to break up crumbles when memories and passion overwhelm him, even though he knows better: "It makes me so angry, because I know that in time I'll only make you cry."" - in The New York Time, 26 de setembro de 1994

 "The one person who doesn't care for the talk is the source of it all. "The music business is the most childish business in the world," Mr. Buckley said one morning last month at a downtown bistro. "Nobody knows what they're selling or why, but they sell it if it works." Mr. Buckley, whose hair is cut in a short, modestly spiky buzz, pauses and shoots an intense stare out the window. "There was a woman outside who was talking to someone, and I was trying to guess from her eyes what she sounded like," he said softly. "You can tell everything from the eyes.""- in The New York Times, 24 de Setembro de 1993


Aqui ficam as sugestões:
Jeff Buckley - Hallelujah
Jeff Buckley - Lover, You Should've Come Over





Genésia Freitas

sábado, 8 de março de 2014

Metronomy : Uma miscelânia de estilos

     Eletrónica? Indie pop ? Indie rock ? Eletropop? Ou uma mistura de todos este géneros musicais ? Eis os Metronomy .
     Nascidos no seio de Londres ,no inicio do novo milénio, vieram dar uma lufada de ar fresco no panorama musical. Constituídos por Joseph Mount, Oscar Cash ,Anna Prior e Gbenga Adelekan, são neste momento uma das bandas mais interessantes e com um maior desenvolvimento no mundo da música.
    Criados por Mount ,estavam longe de prever todo o sucesso que vivem nos dias de hoje mas sempre revelaram " algo de diferente " ,na forma como perspetivavam a música e incluíam a eletrónica nas suas produções. Apesar da data da formação da banda , os seus trabalhos só surgiram a partir de 2005,com o lançamento do primeiro EP , e um ano mais tarde com o lançamento do primeiro álbum , Pip Paine (Pay The £5000 You Owe). Este trabalho foi bastante bem aceite por parte da crítica, pois constituía algo diferente, algo que nunca havia sido feito até então. Era constituído por faixas predominantemente instrumentais e foi bastante apreciada por grandes nomes da música como por exemplo os Franz Ferdinand ou os Klaxons ,que os convidaram para a produção de remixes dos seus temas.
    Apesar de constituída apenas por um membro , nesta altura ,Mount contava com a ajuda nos espetáculos ao vivo de dois músicos Gabriel Stabbing (saiu da banda em 2009 ) e Oscar Cash que posteriormente foram adicionados á banda.
    Chegou 2008 e com ele o trabalho que catapultou esta banda para o tão merecido reconhecimento internacional , Nights Out , sem dúvida um dos melhores álbuns da banda e provavelmente um dos melhores álbuns do ano. Talvez o álbum mais caracterizador da banda, devido á mistura de estilos presentes no álbum, que vão desde influências de David Bowie ao estilo mais contemporâneo da eletrónica. Trabalho este que vai desde o mais ínfimo detalhe preparado por Mount, conferindo lhe uma especificidade única, a mistura entre teclados, saxofones , e barulhos tão estranhos como de portas a bater, criam o estilo " Metronomy".
    Prevendo-se uma margem de progressão incrível, era enorme a espectativa para o próximo trabalho, eis que surge então em 2011 , English Riviera. Mostrando uns Metronomy muito mais maduros ,mas sem perder aquela mística que os tornou tão especiais deixou a crítica completamente rendida aos seus pés .Com o lançamento deste álbum juntaram-se á banda os dois últimos membros, Anna Prior, na bateria e Gbenga Adelekan , no baixo . Este álbum foi nomeado para o Mercury Prize de 2011 e foi considerado pela NME ,o segundo melhor trabalho do mesmo ano ,numa lista onde constavam 50 projetos.
     Está previsto o lançamento do sucessor de English Riviera, intitulado Love Letters para o dia 10 de Março deste ano, sendo já conhecida a composição do álbum.
    Os Metronomy visitaram recentemente o nosso país ,com um concerto em 2012 no festival Optimus Alive que foi considerado absolutamente memorável. Para quem não pôde presenciar a atuação destes 4 magníficos, eis que este ano surge outra oportunidade, pois está marcado nova atuação em solo português no festival Super Bock Super Rock no dia 17 de Julho.
     Apesar de recomendar , o leitor a ouvir toda a discografia da banda, destaco alguns temas :
    
- Radio Ladio
-Everything Goes My Way
-The Look
-The Bay
-A Thing For Me
-On Dancefloors
-Heartbreaker

João Rodrigo


  

quinta-feira, 6 de março de 2014

Oasis: De jovens rebeldes a jovens reis!

Abrir primeiro: http://www.youtube.com/watch?v=r8OipmKFDeM

Já foram chamados jovens selvagens do Rock&Roll, a relação entre os dois irmãos foi mais que vista pela comunicação social, birras e confusões assim como a criação de verdadeiros mitos musicais que ficaram para sempre na cabeça de quem os ouvia. Infelizmente já não existem enquanto banda, mas visto que o seu album de estreia celebra 20 anos, achem importante desta banda que foi uma autêntica “praga” nos 90. Tendo impulsionado muito o Britpop, acho que já devem saber de quem falo certo? A resposta é fácil: Oasis.
Naturais da cidade de Manchester, Inglaterra, os irmãos Gallagher tiveram uma infância um pouco perturbada assim como rebelde. Liam(vocalista) e Noel(guitarrista) confessaram ter feito uns pequenos furtos e pequenos actos de vândalismo, o que no caso de Noel, irmão mais velho de Liam, o levou a ficar muitas vezes fechado em casa e foi onde tudo começou. No tédio dos castigos, Noel pegou numa guitarra e aprendeu a tocar, estavam lançadas a raízes daquela que viria a ser uma das maiores bandas inglesas.
Noel que havia desistido de estudar e que trabalhava numa de companhia de gás, arranja emprego como técnico de guitarra da banda “Inspiral Carpets” e está longe de Manchester, do seu quotidiano com drogas e alcool e longe da sua familia. Na sua ausência, Liam ganhou interesse pela música e funda uma banda a qual chamou “Rain”.
Regressado de uma tour como técnico de guitarra, descobre que o seu irmão Liam havia formado uma banda, o que estranhou pois o mesmo nunca tinha demonstrado interesse pela música. Assiste a uma actuação da banda e um verdadeiro desastre, pois as coisas que Liam escrevia não prestavam.
Liam quase que implora ao irmão que entre na banda, acabando o mesmo por aceitar na condição de ser ele a escrever as músicas e a liderar a banda.
Assim, com Noel(guitarrista solo), Liam(vocalista) Paul Arthurs(Guitarrista ritmo), Paul McGuigan(baixista) e Tony McCarroll(baterista) estavam formados os Oasis. Alguns meses de ensaios e após actuações em clubes de Manchester, os Oasis tornam-se conhecidos na cidade.
Ao saberem da ida de um produtor a um concurso de bandas em Glasgow, os Oasis juntam dinheiro para rumarem à Escócia. Após quase não terem actuado devido a um desentendimento com o segurança e após um show arrebatador, os Oasis assinam um contrato com a Creation Records.
Já com editora e prontos para conquistar o mundo, os Oasis partem para a gravação do seu disco de estreia “Definitely Maybe” que contém grandes temas como “Live Forever”, “Supersonic”, “Shakermaker” e “Cigarretes and Alcohol”. Devido ao prefeccionismo de Noel, a banda gravou o album três vezes, sendo um grande sucesso e um dos melhores discos lançados em 1993.
Após uma tour e de regresso ao estúdio em 1995, os Oasis editam aquele que foi o seu melhor sucesso comercial e o 3º melhor do Reino Unido de sempre.
“Wonderwall”, “Don't Look Back In Anger”, “Some Might Say” e “Champagne Supernova” são algumas das canções mais conhecidas do album e que se tornaram verdadeiros hinos, numa era pós-
-grunge e onde o Britpop ganhava força em parte devido aos Oasis e à sua rivalidade com os Blur, aquando da saída de alguns singles por parte dos mesmos.
No seu trabalho discográfico e até ao seu fim em 2009/2010, os Oasis deixam uma vasta discografia de albuns, singles e milhões de discos vendidos em todo o mundo. “Be Here Now”e “Standing On The Shoulder Of Giants” foram os albuns que se seguiram, sendo o ultimo, considerado um dos melhores trabalhos de sempre na história da música.
Mas durante todos os anos dourados dos Oasis, a confusão reinou entre os irmãos Gallagher, discussões, birras e amuos fizeram parte do quotidiano da banda que viu várias vezes os seus componentes mudarem.
Em 2009 antes de um concerto, a banda estava descontraída nos bastidores, enquanto Liam tocava guitarra. Noel fez alguns comentários em relação à maneira como Liam tocava e eis que o mesmo, claramente ofendido com o que ouviu, atira a guitarra contra o irmão, partindo a mesma.
Furioso e cansado das atitudes do irmão mais novo, Noel sobe ao palco e faz uma revelação chocante para os fãs e para o mundo, dali para a frente ele(Noel) estava fora dos Oasis, aonde actualmente recusa regressar sem hesitar. Meses depois, já em 2010, Liam confirma o fim dos Oasis e cria com os restantes membros os Beady-Eye, enquanto que Noel se foca no seu projecto a solo: Noel Gallagher's High Flying Birds.
Vivendo Rock&Roll ao máximo com o seu lema “Cocaine, Cigarretes and Jack Daniels”, os Oasis marcaram um impacto brutal no mundo dá música e do Rock&Roll. Bateram recordes ao encherem estádios e protagonizaram situações muito bizarras ao longo do seu tempo de existência, no entanto, são autênticas lendas vivas, uma das melhores bandas lançadas pela invasão britânica, os Oasis marcaram e continuam a marcar uma geração!

Bernardo Mascarenhas

quarta-feira, 5 de março de 2014

A nova vaga inglesa

Todas as músicas e géneros musicais possuem uma ou mais influências, sem excepção, por muito pequena que seja. Não raras vezes assistimos a uma maior variedade de influências, principalmente dentro dos géneros eletrónicos (House, Drum & Bass, Trip-Hop etc).
Ora para quem gosta de música e, muito principalmente para quem tem estado atento, temos assistido ao surgimento de uma nova e talentosa vaga de artistas vindos do Reino Unido dentro deste género. Mas que influências possuem? Quem foram os reis do passado eletrónico britânico?
Tentando não ir muito longe, podemos estabelecer a década de 80 como aquela onde o estrondo começou. Com PetShop Boys e Depeche Mode à cabeça, começa se a introduzir o género dançante britânico no mainstream. Claro que outras bandas por essa altura surgiram mas é difícil não nos sentirmos tentados a distinguir estas duas de qualquer outra. Da década de 80 à 90 é um saltinho e é aí que a eletrónica surge e se instala por terras de sua majestade.
Quem é capaz de não reconhecer “Insomnia” dos grande Faithless? Ou “Firestarter” dos The Prodigy? Apenas para citar alguns. Gostando ou não do género é quase crime não reconhecer pelo menos dois ou três.
                Por esta altura começa até, dentro do género, começa a haver uma clara distinção entre o trip-hop (que surge por esta altura em Bristol) e o resto. Por um lado, nomes como Massive Attack, The Chemical Brothers ou mesmo Gorillaz deixam-se influenciar decisivamente na experimentação que ainda hoje assistimos em algumas bandas, veja-se Chase& Status, por exemplo.
                Por outro lado, temos as bandas mais “tradicionais” que acabaram por ser as que mais influenciaram tudo aquilo que conhecemos. Jamiroquai, Fatboy Slim ou Portishead , representaram, na década de 90, tudo aquilo que hoje atribuímos a Calvin Harris, Rudimental ou Disclosure. Estranho a década de 00 não estar aqui referida? Na verdade está e não está. Nenhuma banda inglesa, dentro do género, que tenha surgido nesse período se destacou. Assistimos mais a uma consolidação das bandas da década anterior que a projectos novos.
                Mas quem são os artistas que representam essa nova vaga inglesa? Alem dos 3 acima referidos, podemos distinguir Katy B, SBTRKT, Sam Smith ou Plan B, por exemplo. Curiosamente todos colaboram entre si e não raramente abrangem uma rara variedade de estilos.
                É a nova vaga que se instala e onde temos a impressão que ainda agora começou. Sugestões? Clica no nome dos artistas e vai directamente para uma música deles! ;)



Gonçalo Matos

terça-feira, 4 de março de 2014

O que é o Indie Rock?

Na crónica desta semana, após muito reflectir num tema actual e que fosse simples, eis que tropeço num tema que me tem vindo a suscitar uma certa curiosidade. Sendo assim, o tema desta semana é sobre as origens do Indie Rock e no que este estilo musical consiste.
Antes de mais vamos organizar ideias pegando pela palavra “Indie. Ora “Indie” por si só remete para independente. Ok, Indie significa independente. Mas o que tem a ver isso com o estilo de música? Pois bem, no que toca á questão musical o Indie aplica-se a todas as bandas, produtoras ou artistas que não têm contrato de publicação e distribuição e que lançam os seus projectos por conta própria.
Grupos de Rock como The Smiths, Sonic Youth, Dinosaur Jr e R.E.M. que cresceram num meio de gravações caseiras e de selos menores, mas que acabaram posteriormente anexados às grandes gravadoras. Bandas de garagem que sem o patrocínio de gigantes como a Universal, EMI, Sony e outras gravadoras, se lançavam por selos menores – SUB POP, Matador, Merge, entre outros. Não era uma questão de preferência ou género musical, apenas um método de distribuição/comercialização.
Agora que estamos de ideias organizadas vamos viajar um pouco no tempo, até aos anos 80 do séc.XX. Lembram-se desses anos? (Se calhar a maior parte de vocês não se lembra porque não eram nascidos) Mas mesmo que não te lembres ou não saibas o que é basta chegares ao pé do teu pai e pedir que ele te conte o que aconteceu realmente de tão importante nesses anos para a música. E decerto ele te dirá que esses anos foram o marco mais importante da história, onde se deu verdadeiramente o “BOOM” da música.
Tudo começou no Reino Unido quando começaram a aparecer imensas bandas que não se inseriam no “profile” das grandes indústrias musicais. Como na altura a Internet era todo um mundo ainda desconhecido para a divulgação das bandas, obviamente que os seus meios de promoção eram outros como os shows e os college radios (considerados como o berço do indie) através dos quais se ia passando a palavra de boca em boca.
Com a viragem do século e o aparecimento de cada vez mais bandas independentes, o outrora reduzido grupo de artistas independentes cresceu e alcançou o grande público. Como uma tentativa da imprensa e do próprio público em identificar a sonoridade da época – um resgate do rock de garagem do fim da década de 1970 com o pós-punk do começo dos anos 80 -, artistas como The Strokes, inicialmente apresentados por selos independentes foram classificados como Indies. Foi aqui que se passou a tentar encontrar e identificar uma sonoridade para defini-la como sendo do estilo Indie passando pelas guitarras aceleradas ou passando pelas variações do folk ao rock, do pop ao electrónico, basicamente com letras melancólicas e infantis, inserindo outros elementos além do rock básico de guitarra-baixo-bateria (cordas, elementos electrónicos, sopros, instrumentos vintage), revivalismo, pouca ousadia e quase nenhum experimentalismo.

Confuso não? Pois bem para resumir o Indie Rock é uma maneira de definir bandas de rock que não possuem influência de gravadoras ou quaisquer outro tipo de instituição que tenha poder sobre a originalidade das ideias da banda em questão.

Deixo também, como vem sendo habitual, as sugestões:
How soon is now?  The Smiths

Genésia Freitas